quarta-feira, 15 de julho de 2009

De Passagem

É uma grande honra e um grandissíssimo prazer partilhar com vocês as minhas idéias, isso é o que eu quero dizer primeiro. Infelizmente, como não posso saber quem são vocês - pois afinal só me observam e me criticam no conforto de estar do outro lado da tela, num lugar onde eu dificilmente vou conseguir imaginar - tenho que dizer pra vocês como eu diria para o mundo, e tenho medo de ser superficial e não tocar. Ou ser profundo demais e não ser entendido. Ou ser confuso e visto como louco. Não. Disso eu não tenho medo, sei que sou os dois.
Outro dia estava eu numa praça imaginária, tentando fazer com que todos os meus eus adjacentes se fundissem naquele momento de quase meditação num único universo paralelo. Hein? Ah.. Por meus eus adjacentes, eu quero dizer aqueles cujos universos estão muito próximos ao meu, e que de tanta afinidade com este aqui acabam se tornando um só. Pois eu não sei se vocês sabiam, mas na verdade existe uma infinidade de universos paralelos, e em muitos deles eu já morri, em outros eu sou casado, em outros eu tenho filhos, em outros eu sequer nasci. Essa teoria não é minha, apesar de também ser muito parecida com a minha visão intuitiva do universo. É uma teoria relativamente nova na Física, que substitiu a Teoria das Cordas. É a teoria M. M quer dizer membrana, mas pode também querer dizer mágica, pois é algo realmente fantástico. É a teoria atualmente mais estudada e respeitada por quem quer descobrir como funciona o universo. Quer saber como começou o nosso universo? Eu já sabia, mas se você não tem a mínima idéia do que eu estou falando, entre no youtube e procure por Teoria M. Você vai ficar de boca aberta.
Enfim, onde é que eu estava? Ah sim, tentando fundir meus universos paralelos adjacentes. E eu tive algum sucesso! De repente quando eu levantei e comecei a caminhar percebi que as pessoas me cumprimentavam, olhavam com atenção, sorriam pra mim. Percebi que eu sou uma pessoa do bem, pois ao unir alguns universos adjacentes naquele momento, recebi respostas positivas das pessoas ao meu redor. Porque pensem, se nesse universo eu sou uma pessoa do bem, eu tenho muitos amigos e pessoas que se preocupam comigo. E se eu unir meus universos paralelos e mais pessoas forem atenciosas comigo, significa que eu sou uma pessoa do bem nos outros universos também. Isso me deixou tão feliz, que se não fossem meros pensamentos eu não me importaria com mais nada nesse mundo. Apenas tentar ser um só.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Um Fluxo Atemporal Extrapolado Ainda Sem Sentido

E como tudo o que passa despercebido pelos olhares pouco atentos de uns pouco apropriados humanos tragicômicos, entediados por uma rotina que não se sabe bem ao certo como funciona, nem como se chega à conclusão de que ela é mesmo uma rotina ou se é somente algo estático, e o que é estático não produz uma rotina, sei disso por algum conhecimento em engenharia e informática, mas isso não vem ao caso. O que vem mesmo é aquilo que eu tentava dizer mas sempre me escapa, e não consigo fazer outra referência ao assunto como aquilo, aquele, a coisa, e isso me deixa pertubado de tal modo que impede qualquer tipo de concentração de minha parte em coisas que não aquela coisa, que eu não consigo dizer o que é, mas que é é. E só por ela ser, já é uma verdade, não sei se de alguma forma ela pode ser plausível, pois é uma verdade inverossímil, uma verdade de um homem só, solitária dentro dessa carcaça, já combalida pelas somas, pelos anjos demônios - lembra que eu já disse isso? - e pelo calejamento natural dos anos ou não, não sei se esse calejamento existe ou se é uma invenção da gente conformista, que tudo quis e tudo deixou de querer com facilidade inspira pela idéia de que isso é natural. Eu não quis dizer que é ou que não é, só quero que me ajudem a refletir melhor sobre isso, pois não o fazer é o mesmo que estar a uma esquina de morrer, e não tentar encontrar a essência, o ponto que reúne tudo o que significa esse tipo de pensamento que tanto atrofia as ações, nossas ações, humanas e tão inapropriadamente materialistas que não deixam chance para magia, nem fantasia, nem sonho, ou seja, não deixam chance pra nada que é a verdade da vida.

domingo, 5 de julho de 2009

Um Fluxo Atemporal Extrapolado Sem Sentido

O espelho do antigo assunto inventado pelo mistério que se colocou depois do evento que já foi imensamente discutido por nós e por todos que nos conhecem e mesmo um dia quiseram nos conhecer mas não conseguiram por falta de assunto ou de uma aparência minimamente sedutível por meio de estímulo, resposta recompensa, mas que mesmo assim têm essa sensação, não foi friamente considerado, analisado, descontruído, a ponto de provocar qualquer reflexo um tanto quanto preciso ou na melhor das hipóteses focado, do que um dia a gente pensou que era a sombra de alguma coisa, e o quê eu não sei, nào sei o que a gente pensava, não sei o que a gente fazia, não lembro nem o quê eu sentia, mas eu sei que tudo o que ficou dito não foi embora, ficou dentro, enraizado de uma forma que não há como sóbriamente descrever e é por isso que escrevo ébrio, sobre algo que nunca foi tangível nem tampouco o contrário, e essa era a beleza. Existir de maneira equivocada, anacrônica, relapsa e intransigentemente arbitrada pelo tempo espaço e circunstância, sem tocar em nada que alterasse passado e futuro, aquilo só alterava o presente, e de presente em presente foi virando uma coisa eterna, infinita e indescritível, como qualquer coisa que acontece quando fazemos qualquer coisa sem consciência, ou seja, como tudo na vida.

terça-feira, 9 de junho de 2009

The Ice of Boston lyrics - Dismemberment Plan


Pop open a bottle of bubbly…yeah. Here’s to another goddamn new year. And outside, 2 million drunk Bostonians are getting ready to sing “Auld Lang Sine”…out of tune. I sit there in my easy chair, looking at the clouds, orange with celebration and I wonder if you’re out there.
Hey! The ice of Boston is muddy and reflects no light, in day or night and I slip on it every time..
Pop open a third bottle of bubbly yeah, and I take that bottle of champagne, go into the kitchen, stand in front of the kitchen window and I take all my clothes off, take that bottle of champagne and I pour it on my head, feel it cascade through my hair and across my chest, and the phone rings. And it’s my mother. And she says “HI HONEY HOW’S BOSTON?” And I stand there, all alone on New Year’s Eve, buck naked, drenched in champagne, looking at a bunch of strangers.. Uh, looking at them, looking at me, looking at them, and I say: “Oh, I’m fine Mom—how’s Washington?”
Hey! The ice of Boston is muddy and reflects no light, in day or night and I slip on it every time.. Hey! The ice of Boston is muddy and reflects no light, in day or night and I slip on it every time, time, time, time, yeah…
So I guess the party line is I followed you up here. Well, I don’t know about that. Mainly because knowing about that would involve knowing some pathetic, ridiculous, and absolutely true things about myself that I’d rather not admit to right now. Woke up at 3 A.M. with the radio on, that Gladys Knight and the Pips song on about how she’d rather live in his world with him then live in her own world alone and I lay there, head spinning, trying to fall asleep and I thought to myself: “Oh, Gladys, girl, I love you but, oh—get a life!”
Hey! The ice of Boston is muddy and reflects no light, in day or night and I slip on it every time.. Hey! The ice of Boston is muddy and reflects no light, in day or night and I slip on it every time..

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Coisas Que Não Têm Perdão I

Naquele fim de semana a gente ia pra casa de meus pais.
Na minha ignorância peculiar quando se trata de família te deixei insegura para o encontro, uma vez que eu mesmo não conseguia esconder o quanto uma aprovação e o entendimento oficial eram importantes pra mim. Você, por amor, aceitou os termos não sem relutância, mas nóis dois sabíamos que as coisas tinham que ser diferentes, menos pela consciência de que omitir a íntegra de nossa visão de mundo seria desastroso, mas porque de alguma forma conseguíamos prever nosso (não) futuro. O dia-a-dia antes da reforma ortográfica com a sua família era alguma coisa de muito confortável, a não ser a desconfiada confiança que sua mãe tinha em mim, em você em mim, em você e eu e aquela desconfirmada esquizofrenia do seu pai, o cara que toda vez que eu olhava parecia enxergar a mim mesmo 25 anos mais velho.
-Você não mostra suas tatuagens?
-Mas por quê amor?
Pra eu continuar a fazer o que eu nunca deveria ter começado, mas virou vício, compulsão, meio de vida. Como remédio que deixa doente, uma droga caríssima que não chapa, um fungo que eu cultivo com cuidado no peito pra me deixar cada vez mais podre. Esconder as coisas que quero e faço de quem sabe tudo de mim.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Recados

Há um tempão estou querendo explicar porquê eu não estou postando mais os capítulos do livro, e não tem nada demais nisso, na verdade é mera preguiça com falta de assunto. Sim, pois ao interromper a publicação da saga, é meu dever continuar escrevendo alguma coisa que entretenha a todos nós. Mas uma verdade é que, apesar de ter alguns capítulos não publicados, tenho escrito muito pouco. (troca) Tenho escrito menos do que gostaria. (troca) Não tenho escrito porra nenhuma, isso é o que eu queria dizer.
Prometo consertar isso. (troca) Prometo que vou voltar a escrever e assim que o livro estiver pronto - no meio do ano que vem - informarei a todos. (troca) Não prometo nada e vou postar só quando der na telha!
Tenho um recado pra uma amiga. (troca) Tenho dois recados para duas amigas. (troca) Tenho uma recado pra duas meninas que como eu não sabem o que estão fazendo da porra da vida.
M: também quero ganhar na Sena, mas temo que isso seja perto de impossível. Por favor, não confunda os sentimentos do personagem com os meus, te respeito muito e gostaria de poder ter uma relação mais próxima com você. (troca) te entendo muito e gostaria que você me entendesse também. (troca) te quero mais que lasanha!
P: minha grande amiga, desculpa esse bosta que sou. Não consigo nem te dar um abraço quando precisas! Saiba que te abraço todos os dias. Há mais de uma semana penso em você o tempo todo. Confio muito em você e na sua inteligência, sei que a dor de agora é a sabedoria que um dia terei a honra de partilhar. Como é ruim não saber o que dizer, tudo que se diz parece muito idiota agora... Mas quero você do meu lado, mesmo longe, mesmo ausente, quero a idéia de ser sempre seu amigo. Um beijo gigante, com muito amor.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Capítulo 20/ Disfarce

Cabe dizer agora que foi por esses dias o último encontro entre Roger e Bárbara. Enquanto subia a Rua Augusta em direção ao metrô na Av. Paulista, pouca coisa menos bêbado após o refrigerante, ele divagava reinventando nos menores detalhes o fatídico - mas não por isso menos fabuloso - dia em que a conheceu. Queria estar sóbrio e arrependeu-se da fraqueza; naquele estado não conseguia reproduzir todas as sensações do primeiro dia.
Cinco anos antes ele estava sentado numa mesa de bar onde nunca havia estado até então, acompanhado de uma desproporcional maleta prateada, cuja impressão que causava nas pessoas não era outra que não fosse carregar algum pertence muito valioso ou frágil, e uma mochila de viagem, matando tempo com cerveja e música ao vivo enquanto refletia sobre a vida em completa atitude de não-pessoa, que é seu estado predileto quando viaja num ônibus lotado, por exemplo. A razão pela qual estava sozinho naquele bar e ainda por cima carregando muitos pertences é tema para outro capítulo.
Num momento insensato, seu olhar fora atraído para a direção do banheiro feminino, que ficava ao lado do pequeno palco, de onde saíam duas moças muito alegres e vibrantes. Muita gente circulava, e ele viu só uma.
A blusinha branca, quase corpete e de alcinha, a colocava num maravilhoso decote que insinuava os seios fartos e grudava no corpo. Num de seus ombros à mostra uma linda e enorme tatuagem muito colorida e recém concebida. Saia jeans curta, mostrando mais da metade das grossas e bem torneadas coxas, acompanhando a beleza da rija panturrilha num salto alto que não era de disfarçar a altura, mas encerrar a belíssima dama como objeto de desejo de todo o salão. Ao aproximar-se dele, exibiu os grandes olhos compridos delineados à lápis e quase finos, que insinuavam a descendência grave e sábia do oriente, provavelmente vinda de somente um de seus progenitores. Ele sentiu-se visto, e mesmo que não tivesse sido, daria o mundo para ser notado por ela.
Não demorou muito e ele já fitava demoradamente a mesa onde ela estava entre muitos amigos, na intenção de aproximar-se. A sua condição, que não é o nosso assunto neste momento, permitiu-lhe a abordagem apesar do bando de homens que se sentavam à mesa em redor daquela deusa disfarçada de mortal. Assim o fez, para sua felicidade e desgraça.